

Ainda na mansão Ninive, Morell, Kador, Tombatora e Maciel ainda estavam sem saber exatamente o que aconteceu e ainda sem saber como agir.
Assim que saíram da mansão de Sullivan eles caminharam, ainda na incerteza de que poderiam agir em equipe, visto que as diferenças entre eles eram muito fortes. Como superar as dificuldades e conviver como uma equipe, em quem confiar agora?Repentinamente, eles ouviram uma voz, estranha e forte, parecia vir de dentro da própria cabeça deles.Era uma voz feminina, com certeza...Mas de quem?Tudo que eles conseguiam fazer era ouvir a voz repetitiva que dizia: ”Procurem por Sibila, ela tem a verdade... Procurem por Sibila...”
Por mais que tentava Ninive não conseguia identificar a origem da voz, alias ninguém conseguia dizer de onde vinha a voz que se fazia presente na cabeça de cada um dos vampiros.Morell gritava como se a voz causasse dor:
_Saio deste corpo que não te pertence. _gritava ele enquanto corria por toda a rua. _Abandone este corpo criatura vil, em nome de... Em nome..Em nome de quem mesmo? _Virou-se perguntando para o restante do grupo que se assustava com a atitude do louco.
_Sabe que este ser me dá medo?_disse Tombatora, olhando para todos.
Kador apenas olhava seus companheiros, principalmente o velho Morell, e apiedava de sua sina, em sua mente ele indagava: ”Quem em sã consciência teria feito tamanho ato de selvageria, transformando um louco em vampiro?” Morell Continuava com seu surto de loucura.Até que sem mais nem menos ele ficou em silencio, e por fim todos sentiram uma súbita má impressão; era um silencio cortante que se fazia presente, como se até as criaturas da noite não tivessem coragem de fazer som algum.Quem quebra o silencio é Tombatora:
_Droga de cidade, é um lugar podre e este silêncio está me matando.Sei o que ouvi e sei que todos ouviram esta voz estranha, então o que vão fazer? Fingir que não ouviram e esquecer tudo, ou ir ver quem é essa tal de Sinsila?
_Sibila, _corrigiu Ninive.
_Que seja.
_Eu vou até o fundo disso. _disse Kador.
_Finalmente disse algo “homem-silencio”._brincou Morell. _O que você sugere que façamos?
_Ora, e quem quer saber o que esse fugitivo das mil e uma noites tem a dizer? _disse Maciel, só pra provocar.
Kador lança um olhar para Maciel e continua sua fala:
_Sei que pode parecer estranho, mas eu tenho a impressão de que temos que saber quem é essa tal Sibila, ela deve ter as respostas para nossas duvidas.Eu vou procurar por ela, e se quiserem podem vir comigo.
_Eu concordo. _disse Maciel.
_Eu também, vou._disse Tombatora. _Ninive?
_É acho que não tenho escolha, por enquanto eu vou ficar com vocês.
_Bom acho que somos uma equipe, _disse Morell, _bom agora só falta duas coisas.
_O que? _perguntou Maciel.
_Primeiro é o fato que se somos uma equipe temos que ter uniformes, prefiro os colantes, realça meu corpo atlético, segundo alguém pode me dizer onde mora esta Sibila?
_ Eu mato ele._disse Maciel erguendo um taco de beisebol em direção ao louco do Morell, que corria pela rua cantando uma velha canção do Raul Seixas:
_Gente é tão louca e no entanto tem sempre razão, quando conseguem um dedo, já não serve mais quer a mão...
Quarto ato _ um aviso
Com toda a confusão, a festa chegou ao fim, e assim cada membro voltou para sua vida, retomando-a onde pararam.O salão ficou vazio, apenas os membros do pequeno grupo de jovens vampiros ficou.Sullivan estava na sala ainda com Haatzmaut e Wagner despediu-se de todos, dando uma boa olhada em cada um deles.Quando todos os resolveram ir embora, Sullivan volta a grande sala:
_hei vocês fiquem onde estão.Tenho algo a dizer._todos pararam, esperando que Sullivan terminasse a conversa._Interroguei haatzmaut, vocês eram o alvo dele e não eu.Acho que estão ferrados, só isso.Não consegui fazê-lo falar quem o mandou nem por que, o fato é que eles estão atrás de vocês, digo eles por que penso que haatzmaut não agia sozinho.E eu sugiro que andem juntos ou se escondam.O que me dizem?
_Será algo estranho, _disse Ayda ao seu companheiro, enquanto entravam em um carro negro de vidros escuros. _estes vampiros são diferentes de mais para se darem bem juntos.São jovens indisciplinados, e bem inexperientes em relação aos seus poderes, na verdade eles ainda estão fracos, mas podem ser úteis...Futuramente.
_Acha que podemos confiar neles?_perguntou Fausto.
_Claro que não!_disse Ayda em tom de arrogância, _Sabe que não confio nem em você, Fausto.Mas as crianças serão de muita utilidade.
_Não sei não, talvez pudéssemos aproveitar aquele a quem chamam de Ninive, ela parece ter potencial.
_Fausto, você temo o dom de dizer o obvio.
Os jovens vampiros ainda não conseguiam decidir como e que seria, se formariam um time ou não.Sullivan penas os olhava com seus olhos negros e em sua mente ele pensava: "Crianças é isso, crianças não representam ameaça."
Quinto ato _ caninos
Wagner estava em sua casa, a boate Refúgio, era noite ainda e ele não havia aberto ao publico este dia.O salão vazio trazia um clima de abandono e com as luzes estavam desligadas era um pouco fúnebre o local.Wagner deixou seu lobo que servia de guia a solta e se dirigiu para o porão, onde passava as horas de sono, escondido do sol.Havia se passado alguns minutos desde que Wagner deitara e logo o sol iria sair.Quando a porta de entrada foi arrombada e vários homens entraram, vestindo negro, rosto coberto por um capuz e armas em punho, eles foram em direção à porta do porão. Caminharam como se conhecesse o lugar e soubessem exatamente aonde ir. Eram oito homens e elas caminhavam furtivamente, um deles o que parecia ser o líder, acenou com a mão indicando uma direção a um grupo, estes acenaram com a cabeça e foram na direção indicada, dividindo o grupo em dois.A passos lentos eles caminhavam quando das sombras viram surgir o lobo que guiava Wagner.Este se mexeu devagar caminhando em direção ao grupo que se separou.Com um rosnado ele chamou a atenção de todos, eles viraram e atiraram atingindo o animal.Com um riso sacana no rosto o atirador caminhou em direção ao lobo caído, para sua surpresa o animal abriu os olhos e mordeu sua mão arrancando-a junto com a arma.
O segundo grupo entrou na porta que dava ao porão, que se fechou atrás deles fazendo-os levarem um pequeno susto.Caminharam então por uma escada e chegaram até uma sala, onde se encontrava um caixão, de ébano, negro como a própria noite.Se aproximaram então sorrateiramente, o líder do grupo, aquele que tinha divido o bando em dois, tirou um galão da mochila, cheio de gasolina e despejou por sobre o caixão, assim que acabou o liquido do galão e o caixão estava todo embebido ele acendeu um isqueiro e jogou em cima, causando assim um fogo enorme que iluminou a sala escura.
No andar de cima o homem gritava enquanto de sua mão amputada escorria sangue.Seus amigos correram em direção a ele arrastando-o para longe do animal.Quando deram por si o lobo estava crescendo, atingindo um tamanho inacreditável, ele rosnava e uivava como se aquilo causasse dor, os ossos faziam barulho de estarem quebrando, como a se adequar a uma nova forma, os homens não conseguiam tirar os olhos da criatura que por fim se mostrou um lobisomem.Eles se afastaram em um canto do grande salão, finalmente tiveram coragem de atacar, questão de sobrevivência, deixaram o capuz cair mostrando suas verdadeiras naturezas...Vampiros.
Lá embaixo, o caixão incendiava, os vampiros riam por terem dado um fim ao grande Wagner.Quando das sombras sai um vampiro bem vestido terno negro, óculos escuros e bengala na mão, ele caminha em direção a um dos membros do grupo, que o ataca, surpreso por não ele estar no caixão.
_Droga, _ disse o líder, _ peguem ele. _As balas cortavam o ar indo atingir Wagner no meio do peito, que nem se abalou com os tiros.Ele continuou caminhando em direção ao mais próximo dos vampiros, com uma velocidade invejável, ele sacou uma espada que estava escondida na bengala e decepou a cabeça do primeiro vampiro, que caiu inconsciente e aos poucos foi envelhecendo e se transformando em pó. Por fim ele fez a mesma coisa com mais dos deles, deixando o líder por ultimo.Este se moveu rapidamente e atacou Wagner com garras e dentes, Wagner se moveu a mesma velocidade e acabou por parar nas costas do vampiro atacante e com um movimento rápido de suas espada cortou o vampiro em sentido vertical, fazendo com que ele tivesse o mesmo fim de seus companheiros.
Na sala de cima o desfecho foi o mesmo, o companheiro lupino de Wagner já havia acabado com os vampiros com uma velocidade mais assustadora e com suas garras ele transformou todos os inimigos em pó.Terminando com um uivo de gelar a espinha.
Terceiro ato _ Haatzmaut segunda parte
_Não há ninguém aqui. _disse enquanto olhava para o chão, procurando o inimigo. Tombatora foi em direção a porta e acabou sendo surpreendido por um ataque vindo das sombras que o feriu gravemente, deixando-o caído.O assassino ia dar o golpe de misericórdia quando foi surpreendido pela mesmo sofá que foi em sua direção, ele se esquivou saindo rapidamente da frente, como que por mágica, fazendo com o sofá arrombasse a porta.
Aquilo chamou a atenção dos três membros que conversavam dentro da sala.Maciel aproveitou a deixa e acertou um forte pancada com o taco de beisebol, que acerou homicida, surpreso com a chegada inesperada dos três vampiros restantes não conseguiu evitar o golpe.
Sullivan ficou extremamente zangado com toda a bagunça:
_Que diacho de bagunça é essa em minha casa? _perguntou, _Vocês entram em minha casa, quebram minha mobília, destroem tudo que encontram.Alguém tem algo a dizer?
_Ai!!! _Gemeu Tombatora caído no chão ao seu lado.Um pouco mais adiante o intruso levantou-se, movendo-se com extrema velocidade Sullivan se postou atrás do homem, imobilizando-o com as mãos. Ele o levou de volta para a sala e fechou novamente a porta, Ninive, curiosa, sondou pela fechadura e pode ver o vampiro amarrado e Sullivan tentando extrair alguma informação dele...À base de tortura, é claro.
A lua nasce sobre o velho cais abandonado, ruas sujas, cheiro de lixo no ar, os ratos vagavam como se o lugar fosse deles.Um vento leve trazia alem dos pequenos pedaços de papeis, um odor fétido de peixe podre.Dali dava pra ver a lua refletida nas águas escuras do mar, que estava calmo nesta noite de verão. Sullivan estava sozinho ali, não havia ninguém nas ruas àquela hora, era comum isso, principalmente naquele lugar.Ele estava agitado, não tinha muita paciência para ficar esperando os outros, ficava andando de um lado para o outro da rua, enfiou a mão na velha jaqueta de couro sobre a camiseta branca, surrada, a procura de cigarro tirou do bolso e acendeu, ficou vendo-o queimar sem nem levar o fumo à boca e dar uma tragada sequer.A luz do Audi prata nem o assustou, ele estava esperando que chegasse.A luz piscou, era o sinal que ele esperava, jogou o cigarro fora e caminhou em direção ao carro, devagar...Preocupado, ele olhava para os lados, queria ter certeza de que ninguém estava vendo-o. Talvez não.
Um homem desceu do carro, sozinho, vestia-se muito bem, terno negro, cabelos muito bem penteados, gravata e sapatos tão engraxados que o brilho destes refletia luz da lua. Ele portava com uma elegância, apreciável aos membros da alta sociedade. Saiu de perto do carro e caminhou em direção a Sullivan, as mãos no bolso, nervosamente tateava a pequena Glock 17, 9mm, com o clip cheio, os dedos inquietos dançavam no bolso, a vontade de tirar seu brinquedinho era enorme.Sullivan caminhou cada vez mais perto, em direção ao airoso homem, este começou a acelerar o passo, em resposta, Sullivan fez o mesmo, apressaram cada vez mais até que por fim estavam correndo, um em direção ao outro.Duas figuras vestidas de negro, de classes e modos diferentes, o que eles teriam em comum?
De súbito os barulhos das balas invadiu o ar, Sullivan empunhava um revolver SW M640, 38 especial, ele disparou os seis tiros em direção ao seu adversário, enquanto este descarregava uma saraivada de balas de sua glock em direção ao Sullivan.As balas de Sullivan acabaram rapidamente, ele continuou a ir em direção do seu oponente, agora mais devagar, as balas da pistola vinham em direção a ele e ele se esquivava dos projeteis, como se estivesse vendo sua trajetória.Por fim o homem largou sua pistola ao chão e saltou em direção a Sullivan, um salto que faria inveja a qualquer atleta olímpico, um salto de 5m de altura.Sullivan escancarou a boca em um rugido felino, seus dentes cresceram, demonstrando sua verdadeira natureza. Era uma luta de dois vampiros e somente um sairia dali vivo.
A luta se estendia por vários minutos, ninguém tinha a real vantagem no momento, Sullivan era mais rápido e mais forte, mas o homem parecia não se importar com os ataques de Sullivan. A batalha estava tomando um rumo que Sullivan não estava gostando, o seu rival estava ganhando a disputa e este seria seu fim.Repentinamente o homem caiu, em suas costas uma seta, uma flecha, atirada das sombras.Sullivan não viu ninguém, mas agradeceu assim mesmo.
O sol estava por sair e seu brilho já se fazia anunciar, rapidamente Sullivan amarrou seu inimigo a um poste, saltou para dentro do sistema de esgoto, quase a ponto de ser queimado pelos raios do astro rei.Ele ouviu apenas um grito de dor e desespero.
5anos depois
Era noite, como todos as outras grandes noites.O céu negro e nublado, nuvens escuras de formas a enunciar uma grande tempestade.De repente um raio corta o céu noturno e por milésimos de segundo a noite se faz dia.Na sala, Sullivan se levantou de sua poltrona em frente da lareira, sua mente vagava lembrando pequenos episódios de sua vida. Vestindo negro, um terno, feito sobre encomenda por um estilista italiano, ele ria para si mesmo, achando engraçado estar vestindo terno.Nunca se imaginou arrumado assim, gostava da velha roupa de couro negro, calça jeans rasgada nos joelhos, os cabelos despenteados, a liberdade de fazer o que quiser sem ter que se preocupar com aparências.Lá, do andar de baixo da mansão, vinha um som de festa, musica clássica tocada por pianos e violinos, a alegria, os risos davam para ser ouvidos lá de cima, todos esperavam por ele.
_Como é bom ser conhecido, temido e respeitado._disse em voz alta para si mesmo. _Ninguém pode fazer nada nesta cidade sem meu consentimento, minha autorização. _De súbito ele se calou por um segundo, com um sorriso leve nos lábios disse:
_Saia, seu porco virulento, eu posso senti-lo a um quilometro de distancia.
_Não é assim que se trata um velho amigo, Sullivan._a voz saia das sombras e Sullivan não poderiam distinguir de que direção vinha, era uma voz rouca e fraca, quase falha.
_Não somos amigos, cão.Apareça agora.
_ Rato, _ele respondeu, _Rato, e não um de seus cãezinhos.
_O que quer aqui?
_Nada, só vim dar um oi.Não achou que eu ia ficar fora desta festa bacana, ou achou?
_Oi, _respondeu Sullivan em tom sarcástico._pode ir agora.
_Não brinque comigo, velho Senhor dos mortos, todo o rei tem um segredo, e segredos derrubam reinos.
_Eu não brinco!_exclamou Sullivan irritado com as palavras do horrível vampiro._Se isso for uma ameaça...
_Não longe disso, sabe que eu não ameaço a ninguém.
_Pode esperar lá embaixo com os outros convidados.
_Sabe que ELE está andando por ai?_a pergunta causou um leve tremor no coração morto de Sullivan, o seu hospede repugnante sentiu isso e deu uma nova agulhada._Será que ele é o antigo...
_Não termine a pergunta, porco fedorento, eu mesmo exterminei com ele.Aquela escória deve estar sendo levado aos ventos, como a fuligem que sempre foi.Faz já cinco anos e ninguém nunca soube o que aconteceu, a não ser que alguém tenha dado com a língua nos dentes._disse dando um olhar de repreendimento no Rato, que gelou ao fitar os olhos de Sullivan.
Na porta um leve bater chamou a atenção de Sullivan.
Sem nenhum barulho o Rato desapareceu, da mesma forma como entrou.Deixando para traz, um homem preocupado e pensativo.
_Entre._ respondeu ele.
Na porta uma moça de cabelos castanhos e jaqueta de couro, sobre um top vermelho.O barulho de seu coturno ecoava pela sala,enquanto dava passadas largas.
_Estão te esperando lá embaixo.
_Diga a aqueles malditos vampiros que já vou descer.
_Sim, senhor...
_Ah, Kelly, _disse interrompendo-a, _não com estas palavras.
_Pode deixar, vou fazer o máximo que posso.
Lá no salão de festas da velha mansão, havia uma infinidade de seres estranhos, eles não se misturavam, ficavam em grupos, cada qual em um canto.Essa é o tipo de festa que costuma marcar certas pessoas.Festas deste tipo, mesmo quando realizadas com a maior das seguranças, sempre acaba por deixar sua marca na “sociedade”. Rato estava junto com mais três monstros, como ele, Um deles vestia roupa vermelha, rasgada, estava encostado na parede, tinha os olhos fechados e um ar meditativo, seu nome era Thomas, Diferente do Rato, que tinha todos os dentes afiados e pontiagudos, Thomas tinha apenas os dois dentes da frente afiados, o resto eram quadrados e quebrados, por sua pele corria inúmeras chagas que escorria um liquido viscoso e nojento. Ao lado direito do Rato, meio entre as sombras, quase sem aparecer estava Sara.Ela não gostava da sua condição morta-viva, por que todos os outros vampiros eram belos e ela carregava o fardo da feiúra? Essa pergunta martelava sempre em sua mente era castigo de mais.Ela devia ter sido muito bela em vida, mesmo transformada nesta criatura, guardava ainda um resquício de sua antiga aparência.Tinha os olhos negros e levemente puxados, sua descendência oriental era evidente, os cabelos estavam acastanhados e ligeiramente ondulados, mas antes fora liso e negro como a noite.Seu corpo ainda chamava a atenção, pois era apesar da metamorfose ainda mais formoso do que antes.A roupa, calça jeans colada ao corpo e camiseta negra, escondia um pouco da pele, com manchas esverdeadas, no rosto um lenço escondia sua boca, era visível apenas os olhos tristes.
Do outro lado da sala estava um casal, a mulher se chamava Ayda Lenox, muito bem vestida, sentada num sofá ela trazia na mão um lenço, negro como seu extraordinário vestido e longo, nos cabelos bem penteados, adornos de ouro. No rosto pálido os lábios vermelhos destacavam-se.Em pé ao seu lado estava uma figura furtiva e séria, de pele negra, diferente dos que estavam presentes, Fausto era seu nome.Tinha os cabelos negros e longos à moda jamaicana dos rastafaris, vestia uma roupa negra, jaqueta e calça de couro.Tinha um olhar questionador e cavanhaque, ele não se mexia, estava ali parado como um zumbi. Um outro grupo se destacava, eram maioria, quatro mulheres e um homem, uma das mulheres, loira de pele bem pálida, vestia uma blusa azul e um short negro bem curto, os cabelos bem cacheados e loiros e uma sandália simples, seu nome era Elaine.Kelly, a mulher que estava conversando com Sullivan também estava ali, entre duas garotas, uma com uma camisa de cor vinho bem agarrada ao corpo, cabelos liso e negros, calça jeans e coturno, esta se chamava Verônica e do outro lado de Kelly estava Sandra, esta, mais chamativa estava vestida apenas de uma calça jeans azul bem claro, desabotoada.A caça era tão rasgada que deixava belas partes de seu corpo à mostra, para esconder os seio ela usava apenas um pedaço de pano verde amarrado sobre eles.Tinha um olhar que encantava a qualquer um, era realmente uma das mais belas das mulheres presentes ali.Seu cabelo longo à altura do ombro, os olhos verdes.Com elas estava um homem de camiseta azul e calça preta, ambos sujos de graxa, um óculo escuro e um boné vermelho sobre os cabelos compridos e loiros completava o figurino.Era muito forte fisicamente.Joel era como o chamavam.
Na escada havia uma mulher sentada nos degraus, de cabelos vermelhos, despenteados, parecia ter sido cortado com uma navalha.Tinha os olhos verdes como seu vestido curto, estava calçando uma pantufa de coelhinhos, ela adorava coelhinho.Seu nome era Tallita no pescoço e nos pulsos trazia enfeites de ouro.Ninguém parecia querer ficar perto dela, que passava o tempo toda cantando sozinha:
_Quem tem medo do lobo mal, lobo mal, lobo mal... Quem tem medo do lobo mal, lobo mal, lobo mal...
Aquilo parecia simples e pura loucura, mas algumas pessoas presentes, realmente sentiam o medo ao olhar para aquela estranha criatura.
Kelly Iang Ho, ou simplesmente Ho, como era mais conhecida, fica ali perto da porta de entrada parada, vestia uma roupa toda negra deixando os braços de fora, na cintura um lenço vermelho amarrado.Ela ficava olhando para vampiros mais feios no canto escuro da sala, seus olhos fitavam os de Sara.Ho era uma chinesa, tinha os cabelos bem compridos até abaixo da linha da cintura, os lábios carnudos e vermelhos.Ela tinha nojo da feiúra de seus companheiros de pôs-vida. Como aquelas criaturas podem ser chamadas de vampiros? São horríveis...Ela pensava enquanto olhava para Sara.
A sala era uma profusão de criaturas, lá fora a chuva caia constantemente e os trovões ensurdecedores.Um murmúrio de vozes falando ao mesmo tempo recobria o ambiente. Ninguém comia ou bebia nada, apenas o fingimento de estarem felizes era constante.Os convidados não paravam de chegar.Aline entrou pela porta, meio molhada, pelo temporal lá fora, bem vestida, como uma executiva na verdade. Um terninho vinho claro, cabelos curtos e óculos, o que lhe dava um ar intelectual, ela chamava a atenção onde passava.Tinha um ar de mulher decidida, objetiva, que não tem medo de nada.Sem nem ao menos cumprimentar alguém ela foi até o outro lado do salão e ficou lá sozinha.Então a porta abriu novamente com um vento forte, por ela passou um morcego enorme e negro, ele voou em direção ao centro da sala e sem surpreender ninguém se transformou em um homem alto e forte, de cabelos curtos e claros como sua barba.Os olhos idênticos ao de um felino, ele estava sem camisa e descalço, apenas um calça vermelha e um sobretudo surrado e empoeirado meio marrom.
_Animal, não tem nenhum senso de moda._disse Ho, olhando para o vampiro que acabara de chegar.Ele apenas retribui o olhar de desdém e disse:
_Se não quer ser ouvida fale baixo, lindinha.
_Eu queira ser ouvida, animal!
_mulher tenha modos ou...
_Ou o que?
A discussão acalorada levantou o animo dos presentes que se levantaram e ficaram de canto olhando a cena.Andrew, o vampiro que chegou como morcego saltou sobre Ho, ela usando de grande velocidade, conseguiu escapar do golpe, os dois com os dentes à mostra se entreolharam como inimigos declarados.
_Parem com essa baderna em minha casa, cães do inferno.Já disse que problemas pessoais não têm vez aqui dentro._a voz vinha do alto da escada.Todos pararam para ver de onde estava vindo a voz.
Sullivan desceu as escadas, parando no ultimo degrau e fitou Tallita, sentada ali.Ela apenas olhou para cima com seus olhos verdes e como se não ligasse a mínima, voltou os olhos ao chão.E apenas disse:
_ Vamos sapatinho, não falhe agora, _disse batendo as pantufas uma a outra, _leve-me para casa.
Andrew e Ho pararam as discussões e cada um rumou para um canto longe do outro, não sem trocar insultos.
_Animal. _disse ela.
Na mesma mansão, ms em uma sala a parte estavam um grupo de vampiros, em silencio eles pareciam perdidos sobre o que fariam ali.Sabiam apenas que tinham que seriam apresentados a Sullivan.Era estranho e ao mesmo tempo constrangedor, o silencio que se abatia sobre eles.Ninguém queria, ou não tinha nada a dizer um para o outro.Estavam na sala seis vampiros, um deles lembravam um monstro, este ficava sempre no escuro, poucas vezes se mostrava totalmente aos outros presentes.Ninive era uma mulher de aproximadamente 28 anos, vestia roupas de freira, séria e muito observadora ela ficava olhando para todos os lados, como se analisasse cada ponto da sala.De súbito ela percebeu que lá fora havia alguém, não dava para ver seu rosto, e ainda um outro vulto que passou mais despercebido, lembrava um cachorro grande.Ela não mencionou nada disso para ninguém.
Kador estava encostado perto da porta, era jovem, 27 anos, seu rosto tinha traços árabes assim como sua roupa.Na mão uma bengala, de madeira escura, com entalhes detalhados que lembravam cobras.Ele estava quieto ali apenas observando.Sentado em um canto esta um homem mais velho, de uma 45, 48 anos de idade, grande barba, era alto e forte, seus cabelos eram levemente grisalhos.Era o mais velhos dos presentes ali, naquela sala. Indiferente a tudo ele deitou-se no sofá e ficou com os olhos fechados, como se estivesse tentando dormir.Os seus amigos apenas o chamavam de Tombatora, nome que ele adotou depois de ter se transformado em vampiro, talvez uma forma de esquecer o passado humano. Num canto esquecido da sala tinha um outro vampiro, Maciel, ah, mas ele odiava este nome, vestia roupas de couro, tinha os cabelos desgrenhados e na mão um taco de beisebol, que batia inconstantemente na palma esquerda.E por fim o personagem mais estranho, Morell, vestia-se com uma terno simples e barato, e ficava andando de um lado para outro, constantemente, um óculos sobre os olhos, dava-lhe um ar de intelectual, talvez por seus antepassado como professor. Ele olhava constantemente para as peças decorativas e criticava:
_Sendo que o sol, nasce a leste e se põe a oeste, deste alado, _disse apontando para a janela, _esta quadro ficaria melhor se posto sobre esta parede. Então acarretaria uma melhor exposição à luz.Conseqüentemente teríamos que mudar a mobília restante da mobília de lugar, colocando os sofá deste lado perto da porta teríamos mais espaço dentro da sala.E esta mesa poderia ser substituída por uma mesa maior...
Ele talvez tivesse algum problema.Não conseguia parar de falar por um misero momento.
De repente a porta se abre e o som de uma pequena orquestra invade o recinto, uma das operas de Wagner, Cavalgada das Valquírias, talvez uma das musicas mais adequadas dada a atual situação.
_Venham comigo. _disse Kelly ao grupo.
Eles se levantaram e caminharam ao salão de festas, a surpresa por terem vistos vários vampiros em um mesmo recinto foi logo quebrada.Todos olhavam pra as crianças, os novos vampiros da cidade.
Ayda só tinha olhos para Ninive.
_Interessante._disse para si mesma
_Ela tem sede de poder, será útil para nós._disse Saulo.
Sullivan estava na escada e ao seu lado rato, eles pareciam estar discutindo algo importante.No grupo vampiros, somente Morell pode ouvir o que eles disseram um para o outro.Por fim Rato e seus companheiros abandonaram a festa, levando com eles o único membro do grupo que pertencia a seu bando.Deixando apenas os cinco membros restantes:Morell, Ninive, Kador, Tombatora e Maciel.
.A porta abriu subitamente, com uma rajada de ar, deixando um forte vento entrar.Uma figura misteriosa entrou no recinto causando uma explosão de murmúrios, era Wagner Greenberger, e seu cão guia, melhor dizendo seu lobo.
_Como ele se atreve a vir aqui?_perguntou Ayda ao seu companheiro Saulo.
_Não sei o que ele pretende vindo aqui, mas tenho certeza que não foi..._antes de Saulo terminar a frase, Wagner deu uma olhada para ele.
_impossível, _disse baixo, _Como ele pode me ouvir?
Wagner caminhou passando por traz de Saulo, e disse baixo em seus ouvidos:
_Sou cego, não surdo.
Wagner foi em direção a Sullivan, e este caminhou de encontro. Wagner mantinha sempre a mão esquerda sobre a cabeça de seu guia, como se usasse os olhos do animal para ver.Na direita ele trazia uma bengala.
_Chame as crianças para a outra sala._disse Wagner a Sullivan, _e, terminemos logo com isso.